sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

REFRACTA

Olhar alguém é olhar a gente
- Uns Mundos do mesmo universo
De imagens retidas na mente
Com o Eu, nos outros disperso.


Wagner Williams

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Mente

Na mente
Cabe tudo o que não é diretamente,
Tudo o que é subjetivamente.

Dizem : A mente mente.
E se você desmente,
Eu digo cérebro,
já o eumetafísico diz: mente.


Luis hort

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Chama e fumo

Amor-chama, e, depois , fumaça...
Medita no que vais fazer:
O fumo vem a chama passa...

Gôzo cruel, ventura escassa,
Dono do meu e do teu ser,
Amor-chama,e, depois,fumaça...

Tanto êle queima! e, por desgraça,
Queimado o que melhor houver,
O fumo vem , a chama passa...

Paixão puríssima ou devassa,
Triste ou feliz, pena ou prazer,
Amor- chama, e , depois, fumaça...

A cada par que a aurora enlaça,
Como é pungente o entardecer!
O fumo vem, a chama passa...

Antes, todo êle é gôsto e graça.
Amor,fogueira linda a arder!
Amor- chama, e, depois, fumaça...

Porquanto, mal me satisfaça
(como te poderei dizer?...),
O fumo vem, a chama passa...

A chama queima. O fumo embaça.
Tão triste que é!Mas... tem de ser...
Amor?... -chama, e, depois, fumaça:
O fumo vem, a chama passa...

Manuel Bandeira(Retirado do livro "a cinza das horas")

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Poema XLIV


Saberás que não te amo e que te amo

posto que de dois modos é a vida,

a palavra é uma asa do silêncio,

o fogo tem uma metade de frio.


Eu te amo para começar a amar-te,

para recomeçar o infinito

e para não deixar de amar-te nunca:

por isso não te amo ainda.


Te amo e não te amo como se tivesse

em minhas mãos as chaves da fortuna

e um incerto destino desafortunado.


Meu amor tem duas vidas para amar-te.

Por isso te amo quando não te amo

e por isso te amo quando te amo.


Pablo Neruda

(Retirado de: Cem sonetos de amor)

terça-feira, 18 de novembro de 2008

CONTO

Há um conto
Em cada canto
Que conto
Com encanto.

Wagner Williams

PETRARCA

Bendito seja o dia, o mês, o ano,

A sazão, o lugar, a hora, o momento,

E o país de meu doce encantamento

Aos seus olhos de lume Soberano.


E bendito o primeiro doce afano

Que tive ao ter de amor conhecimento

E o arco e a seta a que deve o ferimento,

Aberta a chaga em fraco peito humano.


Bendito seja o mísero lamento

Que pela terra em vão hei dispersado

E o desejo e o suspiro e o sofrimento.


Bendito seja o canto sublimado

Que a celebra e também meu pensamento

Que na terra não tem outro cuidado.


Petrarca (Poemas de Amor)

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Paradoxografia

O poeta finge a dor
Tão absurdamente
Que chega a transformar o amor
Numa imensa dor reluzente.

E os que escrevem essa dor
No amor(talvez)se sintam bem.
Chegando causar terror
Nestes sentimentos que eu-eles têm.

Por fim nas rodas da vida
Giros numa imensa profusão
Essas voltas presentes na lida
Num lugar chamado coração.

Jonas